Uma aposta no popular
Motivadas pelo projeto do governo, as grandes incorporadoras se ajustam para explorar a base da pirâmide social
Revista EXAME - Por Giuliana Napolitano e Eduardo Salgado | 28.05.2009 | 00h01
Alguém pode me explicar o que é subsídio?" A pergunta foi feita por Milton Goldfarb, presidente da incorporadora que leva seu sobrenome e pertence à empresa imobiliária PDG Realty, a uma plateia de 700 corretores reunidos no teatro Juca Chaves, em São Paulo, no fim de abril. Preocupado em saber se os profissionais haviam entendido o pacote habitacional voltado para a baixa renda anunciado pelo governo semanas antes, Goldfarb resolveu começar pelo básico. E teve uma surpresa: só dez corretores se arriscaram a responder - e nenhum acertou. O programa Minha Casa, Minha Vida prevê subsídios de 34 bilhões de reais, juros reduzidos, prazos maiores e descontos no seguro obrigatório para famílias com renda formal ou informal de até 4 650 reais por mês, o equivalente a dez salários mínimos. "A dificuldade de entender e também acreditar nas novas condições é compreensível porque nunca vimos nada desse tipo no Brasil", diz Goldfarb.
Na sede das maiores incorporadoras do país, o clima é de euforia - uma euforia que tem resistido até à lentidão do governo nos primeiros 30 dias do plano. A meta é usar a Caixa Econômica Federal para aprovar e financiar 1 milhão de casas e apartamentos em até dois anos, mas por enquanto o sonho da casa própria é um pesadelo burocrático. Até meados de maio, o banco só havia aprovado a construção de cerca de 2 000 unidades. Parte do problema reside na própria Caixa - embora o banco tenha cortado dezenas de exigências, ainda são necessários 54 procedimentos para aprovar um financiamento. "O banco está se mexendo, mas ainda existem muitos problemas. A aprovação de financiamento de compradores leva mais de um mês, quando o compromisso assumido pela Caixa era fazer isso em 15 dias", diz o presidente de uma incorporadora. Há também greves no caminho. Cerca de 2 300 engenheiros, arquitetos e advogados da Caixa cruzaram os braços em abril, pouco depois do anúncio do plano. "Fazemos reuniões todas as semanas com executivos do setor para entender os gargalos e resolvê-los", diz Jorge Hereda, vice-presidente da Caixa.
Apesar dos problemas, as principais empresas do setor passaram as últimas semanas se preparando para vender imóveis de acordo com as novas regras. Elas estão respondendo à avalanche de clientes que se têm cadastrado nas prefeituras para conseguir comprar casas e apartamentos usando as vantagens do pacote - em São Paulo, por exemplo, já há mais de 350.000 pessoas na fila. Parte desses consumidores também tem lotado os estandes das obras, as lojas próprias e os portais de venda das incorporadoras. "Não precisamos de marketing ou de um exército de vendedores para ir atrás de compradores, pois eles estão correndo para nós. A demanda é enorme, só falta atendê-la", diz Rubens Menin, presidente da MRV, que viu o número de atendimentos diários em seu site aumentar mais de quatro vezes, para 2 500. O desafio mais imediato das companhias é fazer seus corretores entender os benefícios do plano - e explicá-los aos clientes. Para isso, vêm realizando treinamentos específicos sobre o pacote. Uma das condições que geram mais polêmica é o subsídio de 23.000 reais que o governo dará a quem ganha menos de três salários mínimos por mês. "As pessoas não acreditam que esse dinheiro será dado, acham que tem algum truque, que terão de devolver isso depois", diz Milton Goldfarb.
Em política habitacional, o Brasil está décadas atrás dos países desenvolvidos. Perde até para a maior parte dos emergentes. O México criou um programa de incentivos públicos à construção civil em 2000 que se tornou referência mundial. De lá para cá, o país reduziu seu déficit habitacional pela metade. Aqui, estima-se que faltem cerca de 7 milhões de moradias - 98% delas para quem recebe menos de seis salários mínimos por mês. Até recentemente, era um público quase ignorado pelo mercado, mas que, após o pacote, tornou-se parte central de uma nova estratégia de negócios - por isso, as principais incorporadoras do país já começam a mergulhar mais fundo na pirâmide social. Quem focava seus esforços em famílias com renda entre seis e dez salários mínimos vai descer um degrau. É o caso da Goldfarb/PDG, que, antes do pacote, só vendia para quem ganhava mais de 3 000 reais, e da Living / Cyrela, a maior do mercado, mas com pouca tradição na baixa renda. "Fizemos ajustes para cortar custos. Preferimos prédios mais baixos e que ficam prontos em menos tempo, o que diminui os gastos com financiamento bancário. Com isso e as vantagens do plano, baixamos o preço médio de nossos imóveis em cerca de 20%", diz Antonio Guedes, principal executivo de baixa renda da Cyrela. Com o dinheiro dado pelo governo, quem ganha cerca de 1 500 reais por mês consegue comprar um imóvel de quase 80.000 reais - antes do pacote, era preciso ter um salário duas vezes maior para adquirir o mesmo imóvel.
O potencial do mercado já atraiu uma empresa estrangeira. A Homex, que se tornou uma das maiores construtoras de baixa renda do México apoiada em um plano de incentivo do governo de lá, vai lançar seu primeiro empreendimento no Brasil em junho. Trata-se de um condomínio de 1 403 casas e apartamentos, com preços em torno de 80.000 reais, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A previsão é entregar 90% das unidades até o fim do ano. "Sem o pacote, seríamos mais lentos", diz Clóvis Massuda, responsável pela construção e pelos projetos no Brasil da Homex, que tem entre seus acionistas o megainvestidor americano Sam Zell.
O plano está até mesmo levando algumas empresas a explorar um universo ainda mais problemático - e volumoso - do mercado: aquele formado por famílias que ganham até três salários mínimos mensais. "Sem incentivos públicos, esse mercado era inviável", diz Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens, especializada em baixa renda."Mobilizei toda a empresa para adequar nossos lançamentos a esses consumidores." Para poder oferecer imóveis que custam de 37.000 a 52.000 reais - uma exigência do pacote -, a Rodobens cortou o prazo de construção, fez mudanças nos projetos com o objetivo de reduzir custos e, assim, chegou a um preço final de 42.000 reais. Até o fim do ano, a meta é lançar 4.000 unidades em São Paulo e na Região Sul.
Algumas incorporadoras, porém, ainda olham esses consumidores com desconfiança. Mesmo com a ajuda do governo, a rentabilidade desse segmento é cerca de 30% menor que a média do setor. A conta só fecha para quem consegue comprar terrenos baratos. "O preço não pode passar de 10% do valor final. Para conseguir locais assim e vender um imóvel por menos de 52.000 reais, só fazendo parcerias com os municípios", diz Henrique Bianco, presidente da HM, incorporadora de baixa renda da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário. A estratégia - que está sendo usada pela HM e pela Rodobens - é fechar convênios com as prefeituras para que elas levem água, esgoto e transporte público a terrenos que ficam longe dos centros urbanos e, por isso, têm um preço por metro quadrado inferior ao dos bairros centrais. Também estão na pauta de negociações reduções de impostos municipais.
Quando as maiores incorporadoras do país tinham o capital fechado, suas previsões eram apenas palavras ao vento. Cada uma dizia o que queria e ninguém era cobrado por promessas não cumpridas. Agora presentes na bolsa de valores, os executivos pensam muito antes de anunciar suas metas porque, se não atingirem os objetivos, correm o risco de ver suas ações sucumbir, como ocorreu com muitas empresas no ano passado. Causa surpresa, portanto, a desenvoltura com que as incorporadoras estão anunciando suas novas projeções. Na média, o crescimento estimado para este ano no segmento de baixa renda é de 70% em relação a 2008.
Como a crise está freando os lançamentos de alto padrão - em São Paulo, a queda foi de 25% de janeiro a abril, segundo a consultoria Embraesp -, as grandes incorporadoras esperam um forte crescimento da participação das classes C e D em seus faturamentos. A Asa, braço de baixa renda da paulista Agra, deve responder por cerca de um quarto das vendas do grupo neste ano, um crescimento de mais de 1.000% em comparação a 2008. Na Rossi, outra incorporadora de São Paulo, a meta é que metade das vendas venha desse mercado - em 2008, a taxa foi de 10%. A Tenda prevê faturar 1,5 bilhão de reais, 36% mais que sua controladora, a Gafisa. No que depender das empresas, o mercado imobiliário brasileiro terminará 2009 transformado -e muito maior.
terça-feira, 9 de junho de 2009
ABYARA PLANEJAMENTO IMOBILIÁRIO S.A.
COMUNICADO AO MERCADO
São Paulo, 8 de junho de 2009 - A Abyara Planejamento Imobiliário S.A. (Bovespa: ABYA3), ("Companhia"), depois de concluir na semana passada a renegociação de suas dívidas com instituições financeiras, anuncia a ampliação de seu capital em R$ 100 milhões, operação totalmente garantida por sua controladora IPU Participações S.A., controlada por AGRA Incorporadora S.A., e Veremonte Participações S.A..
Os primeiros meses da nova gestão Abyara têm os seguintes destaques:
1. A renegociação da dívida corporativa foi concluída com quitação de R$ 139 milhões e alongamento do saldo com prazo médio superior a quatro anos;
2. O fluxo de financiamento bancário à produção foi retomado;
3. A empresa negociou diversos ativos, o que garante ingresso líquido de caixa superior a R$ 45 milhões;
4. Parcerias estratégicas com ASA Incorporadora (empresa do segmento econômico e supereconômico da AGRA) e com Construtora JL propiciam a execução de cinco empreendimentos de grande porte e a obtenção de financiamento à produção para todos;
5. Alcançou-se redução nos custos gerais e administrativos (G&A) da empresa da ordem de R$ 2 milhões/mês.
Com isso, Abyara encerra a primeira etapa de seu plano de negócios: a empresa está saneada e fortalecida, pronta para um ciclo de crescimento sustentado.
Astério Vaz Safatle
Presidente
Para ter acesso ao release completo, clique aqui.
Para mais informações, por favor acesse nosso website www.abyara.com.br/ri.
CONTATO:
Ana Graciela Granato
Diretora Financeira e de Relações com Investidores
Tel.: (0xx11) 3027-8000
Fax: (0xx11) 3027-8211
E-mail: ri@abyara.com.br
COMUNICADO AO MERCADO
São Paulo, 8 de junho de 2009 - A Abyara Planejamento Imobiliário S.A. (Bovespa: ABYA3), ("Companhia"), depois de concluir na semana passada a renegociação de suas dívidas com instituições financeiras, anuncia a ampliação de seu capital em R$ 100 milhões, operação totalmente garantida por sua controladora IPU Participações S.A., controlada por AGRA Incorporadora S.A., e Veremonte Participações S.A..
Os primeiros meses da nova gestão Abyara têm os seguintes destaques:
1. A renegociação da dívida corporativa foi concluída com quitação de R$ 139 milhões e alongamento do saldo com prazo médio superior a quatro anos;
2. O fluxo de financiamento bancário à produção foi retomado;
3. A empresa negociou diversos ativos, o que garante ingresso líquido de caixa superior a R$ 45 milhões;
4. Parcerias estratégicas com ASA Incorporadora (empresa do segmento econômico e supereconômico da AGRA) e com Construtora JL propiciam a execução de cinco empreendimentos de grande porte e a obtenção de financiamento à produção para todos;
5. Alcançou-se redução nos custos gerais e administrativos (G&A) da empresa da ordem de R$ 2 milhões/mês.
Com isso, Abyara encerra a primeira etapa de seu plano de negócios: a empresa está saneada e fortalecida, pronta para um ciclo de crescimento sustentado.
Astério Vaz Safatle
Presidente
Para ter acesso ao release completo, clique aqui.
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CONTATO:
Ana Graciela Granato
Diretora Financeira e de Relações com Investidores
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domingo, 7 de junho de 2009
Greve dos advogados da Caixa irá a julgamento. TST não obteve consenso
Brasília, 05/06/2009 - Após mais de um mês de negociações e de tentativas de se chegar a uma solução consensual, a Caixa Econômica Federal e as categorias profissionais de advogados, engenheiros e arquitetos não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim à greve iniciada em abril. Na audiência de hoje (05) no Tribunal Superior do Trabalho, o ministro João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST, decidiu encerrar a instrução do dissídio coletivo ajuizado pela CEF e encaminhá-lo a julgamento pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC). A relatora sorteada foi a ministra Kátia Arruda.
O ministro Dalazen, instrutor do dissídio, propôs às partes a aplicação de reajuste em progressão geométrica decrescente, no percentual inicial de 31% sobre a primeira referência e de 10% na última, com efeito retroativo a janeiro de 2009, que resultaria num salário inicial de R$ 6.599, e final de R$ 9.117. Apesar de aceita pelos trabalhadores, a proposta foi rejeitada pela Caixa.
A Caixa trouxe o que chamou de "proposta definitiva" de conciliação, uma variação da proposta anterior mais favorável às referências intermediárias do plano de cargos. A proposta não contempla, porém, 421 profissionais, admitidos sob a vigência dos planos de cargos de 1989 e 1998 e que não aderiram ao plano de 2006.
Esgotadas as perspectivas de conciliação, o ministro Dalazen lembrou ser inútil discutir o mérito da proposta da Caixa. "Apesar dos esforços que fizemos ao longo dessas audiências para que os senhores chegassem a uma solução amistosa, isso não foi possível, e o dissídio vai ter de ir a julgamento. A Justiça do Trabalho existe para isso: para conciliar sempre que possível, e decidir quando necessário", concluiu.
Brasília, 05/06/2009 - Após mais de um mês de negociações e de tentativas de se chegar a uma solução consensual, a Caixa Econômica Federal e as categorias profissionais de advogados, engenheiros e arquitetos não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim à greve iniciada em abril. Na audiência de hoje (05) no Tribunal Superior do Trabalho, o ministro João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST, decidiu encerrar a instrução do dissídio coletivo ajuizado pela CEF e encaminhá-lo a julgamento pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC). A relatora sorteada foi a ministra Kátia Arruda.
O ministro Dalazen, instrutor do dissídio, propôs às partes a aplicação de reajuste em progressão geométrica decrescente, no percentual inicial de 31% sobre a primeira referência e de 10% na última, com efeito retroativo a janeiro de 2009, que resultaria num salário inicial de R$ 6.599, e final de R$ 9.117. Apesar de aceita pelos trabalhadores, a proposta foi rejeitada pela Caixa.
A Caixa trouxe o que chamou de "proposta definitiva" de conciliação, uma variação da proposta anterior mais favorável às referências intermediárias do plano de cargos. A proposta não contempla, porém, 421 profissionais, admitidos sob a vigência dos planos de cargos de 1989 e 1998 e que não aderiram ao plano de 2006.
Esgotadas as perspectivas de conciliação, o ministro Dalazen lembrou ser inútil discutir o mérito da proposta da Caixa. "Apesar dos esforços que fizemos ao longo dessas audiências para que os senhores chegassem a uma solução amistosa, isso não foi possível, e o dissídio vai ter de ir a julgamento. A Justiça do Trabalho existe para isso: para conciliar sempre que possível, e decidir quando necessário", concluiu.
OAB repudia afirmações de secretário de SP e lamenta agressão a credores
Brasília, 05/06/2009 - O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio de sua Comissão Nacional de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios), repudiou hoje (05) o teor das declarações feitas pelo secretário de Finanças do Município de São Paulo, Walter Morais Rodrigues, de que advogados e investidores é que pressionam contra emenda que mudará regras para pagar dívidas" e que a figura da "viuvinha que vai morrer" devido ao não recebimento dos precatórios não existe, sendo apenas um "drama" feito pela OAB. "A lamentável entrevista do Sr. Secretário Rodrigues, agredindo os credores, a advocacia e os cidadãos em geral, significa a ausência de sensibilidade por parte daqueles que deveriam primar pelo amor ao direito e pelo respeito às pessoas", afirmou o presidente da Comissão, Orestes Muniz Filho, que assina a nota em nome da OAB.
Ainda no documento, a OAB lembra que existem mais de 600 mil credores pessoas físicas, viúvas, pensionistas, desapropriados, todos credores de precatórios alimentares somente no Estado de São Paulo, com créditos que excedem o total de R$ 12 bilhões. Além disso, 70 mil credores do Estado já faleceram sem receber seus créditos e só a Prefeitura de São Paulo deve mais de R$ 10 bilhões em precatórios (dívidas judiciais conferidas pelo Judiciário contra Estados e municípios). "Assim, constata-se, com tristeza, o escárnio do senhor Walter Rodrigues com os cidadãos que ele deveria respeitar", traz a nota. As afirmações do secretário foram publicadas na edição de hoje do jornal Estado de São Paulo.
Na nota, a OAB ainda insiste que a PEC 12/06 (hoje tramitando sob o número 351/09 na Câmara dos Deputados), defendida pelo secretário, estabelece limites absolutos ao cumprimento de decisões judiciais por Estados, Municípios e União, abrindo ainda mais a porteira ao endividamento irresponsável, ao calote crônico e ao chamado "leilão dos desesperados".
A seguir a nota divulgada pela Comissão Nacional de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios) da OAB:
"A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Comissão Nacional de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios) presta esclarecimentos quanto às declarações do senhor Walter Morais Rodrigues, secretário de Finanças do Município de São Paulo, que, em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, entende que "advogados e investidores é que pressionam contra emenda que mudará regras para pagar dívidas" e que "a viuvinha dos precatórios não existe", além de diversos comentários que agridem fatos, a Constituição, a cidadania e a advocacia.
A verdade, conforme certificado pelo Poder Judiciário é que, somente no caso do Estado de São Paulo, existem mais de 600.000 credores pessoas físicas, viúvas, pensionistas, desapropriados, todos credores de precatórios alimentares, com créditos que excedem R$ 12 bilhões, e cujo pagamento está estacionado no orçamento de 1.998, ou seja, onze anos atrás. Setenta mil credores alimentares do Estado de São Paulo já faleceram, sem receber seus créditos. A Prefeitura do Município de São Paulo deve mais de R$ 10 bilhões em precatórios alimentares.
Assim, constata-se, com tristeza, o escárnio do senhor Walter Rodrigues com os cidadãos que ele deveria respeitar.
Alega o senhor secretário que a única solução para o pagamento das dívidas judiciais de Prefeituras e Estados é um desconto mínimo de 50%, sem prazo final. Esta afirmação é preocupante, pois demonstra a ineficiência desses dirigentes em lidar com a coisa pública e é um alerta importante para fornecedores, funcionários e possíveis parceiros em obras públicas, além de instituições financeiras de crédito.
Outro equívoco do senhor Rodrigues é quando alega que "ninguém apresenta solução". Ora, nas audiências públicas realizadas na Câmara dos Deputados na quarta-feira, dia 03.05.09, com a presença do senhor Secretário, a OAB, a FIESP e a CNI apresentaram inúmeras soluções de pagamento, sem calote. E há mais de dois anos que a OAB vem discutindo e demonstrado alternativas à PEC-12.
E quando se fala de mercado negro de precatórios, deve ser levado em conta que todas as distorções que existem, só existem porque há inadimplência contumaz desses órgãos devedores que não pagam os credores. E querer o devedor se beneficiar de parcela dos créditos dos credores porque não cumprem ordem judicial, é além de todas as ilegalidades, antiético.
A PEC 12, defendida pelo Secretário, estabelece limites absolutos ao cumprimento de decisões judiciais por Estados, Municípios e União, o que não existe em nenhum lugar do mundo, e abre a porteira para endividamento irresponsável para o calote crônico e cria o chamado leilão dos desesperados, onde o mais necessitado dará o maior desconto para receber antes, sabendo-se que só existe um interessado que é o próprio ente público.
A declaração de que desapropriações "sem pagamento" não mais ocorrerão, é mais uma frase de efeito porque a Constituição sempre exigiu "indenização prévia, justa e em dinheiro", o que nunca foi cumprido por alguns entes estatais.
A afirmação de que a Prefeitura do Município de SP se diz "surpreendida" frequentemente por ordens de seqüestro, não corresponde com a verdade pois os Precatórios são ordens judiciais cuja tramitação processual ensejou o amplo direito de defesa. Todos os processos são acompanhados dia a dia pelos Procuradores do Município que tomam conhecimento das pendências e pagamentos iminentes.
A lamentável entrevista do senhor Secretário Rodrigues, agredindo os credores, a advocacia e os cidadãos em geral, significa a ausência de sensibilidade por parte daqueles que deveriam primar pelo amor ao direito e pelo respeito às pessoas.
A PEC 12 (hoje 351, na Câmara dos Deputados) representa enorme agressão aos direitos humanos e à cidadania, cujo texto deve ser rejeitado por todos que acreditam num país que vive sob a égide do direito.
A OAB continuará acompanhando a PEC 12 e apresentando soluções práticas, objetivas e humanas para a solução do calote público brasileiro.
Orestes Muniz Filho, presidente"
Brasília, 05/06/2009 - O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio de sua Comissão Nacional de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios), repudiou hoje (05) o teor das declarações feitas pelo secretário de Finanças do Município de São Paulo, Walter Morais Rodrigues, de que advogados e investidores é que pressionam contra emenda que mudará regras para pagar dívidas" e que a figura da "viuvinha que vai morrer" devido ao não recebimento dos precatórios não existe, sendo apenas um "drama" feito pela OAB. "A lamentável entrevista do Sr. Secretário Rodrigues, agredindo os credores, a advocacia e os cidadãos em geral, significa a ausência de sensibilidade por parte daqueles que deveriam primar pelo amor ao direito e pelo respeito às pessoas", afirmou o presidente da Comissão, Orestes Muniz Filho, que assina a nota em nome da OAB.
Ainda no documento, a OAB lembra que existem mais de 600 mil credores pessoas físicas, viúvas, pensionistas, desapropriados, todos credores de precatórios alimentares somente no Estado de São Paulo, com créditos que excedem o total de R$ 12 bilhões. Além disso, 70 mil credores do Estado já faleceram sem receber seus créditos e só a Prefeitura de São Paulo deve mais de R$ 10 bilhões em precatórios (dívidas judiciais conferidas pelo Judiciário contra Estados e municípios). "Assim, constata-se, com tristeza, o escárnio do senhor Walter Rodrigues com os cidadãos que ele deveria respeitar", traz a nota. As afirmações do secretário foram publicadas na edição de hoje do jornal Estado de São Paulo.
Na nota, a OAB ainda insiste que a PEC 12/06 (hoje tramitando sob o número 351/09 na Câmara dos Deputados), defendida pelo secretário, estabelece limites absolutos ao cumprimento de decisões judiciais por Estados, Municípios e União, abrindo ainda mais a porteira ao endividamento irresponsável, ao calote crônico e ao chamado "leilão dos desesperados".
A seguir a nota divulgada pela Comissão Nacional de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios) da OAB:
"A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Comissão Nacional de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios) presta esclarecimentos quanto às declarações do senhor Walter Morais Rodrigues, secretário de Finanças do Município de São Paulo, que, em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, entende que "advogados e investidores é que pressionam contra emenda que mudará regras para pagar dívidas" e que "a viuvinha dos precatórios não existe", além de diversos comentários que agridem fatos, a Constituição, a cidadania e a advocacia.
A verdade, conforme certificado pelo Poder Judiciário é que, somente no caso do Estado de São Paulo, existem mais de 600.000 credores pessoas físicas, viúvas, pensionistas, desapropriados, todos credores de precatórios alimentares, com créditos que excedem R$ 12 bilhões, e cujo pagamento está estacionado no orçamento de 1.998, ou seja, onze anos atrás. Setenta mil credores alimentares do Estado de São Paulo já faleceram, sem receber seus créditos. A Prefeitura do Município de São Paulo deve mais de R$ 10 bilhões em precatórios alimentares.
Assim, constata-se, com tristeza, o escárnio do senhor Walter Rodrigues com os cidadãos que ele deveria respeitar.
Alega o senhor secretário que a única solução para o pagamento das dívidas judiciais de Prefeituras e Estados é um desconto mínimo de 50%, sem prazo final. Esta afirmação é preocupante, pois demonstra a ineficiência desses dirigentes em lidar com a coisa pública e é um alerta importante para fornecedores, funcionários e possíveis parceiros em obras públicas, além de instituições financeiras de crédito.
Outro equívoco do senhor Rodrigues é quando alega que "ninguém apresenta solução". Ora, nas audiências públicas realizadas na Câmara dos Deputados na quarta-feira, dia 03.05.09, com a presença do senhor Secretário, a OAB, a FIESP e a CNI apresentaram inúmeras soluções de pagamento, sem calote. E há mais de dois anos que a OAB vem discutindo e demonstrado alternativas à PEC-12.
E quando se fala de mercado negro de precatórios, deve ser levado em conta que todas as distorções que existem, só existem porque há inadimplência contumaz desses órgãos devedores que não pagam os credores. E querer o devedor se beneficiar de parcela dos créditos dos credores porque não cumprem ordem judicial, é além de todas as ilegalidades, antiético.
A PEC 12, defendida pelo Secretário, estabelece limites absolutos ao cumprimento de decisões judiciais por Estados, Municípios e União, o que não existe em nenhum lugar do mundo, e abre a porteira para endividamento irresponsável para o calote crônico e cria o chamado leilão dos desesperados, onde o mais necessitado dará o maior desconto para receber antes, sabendo-se que só existe um interessado que é o próprio ente público.
A declaração de que desapropriações "sem pagamento" não mais ocorrerão, é mais uma frase de efeito porque a Constituição sempre exigiu "indenização prévia, justa e em dinheiro", o que nunca foi cumprido por alguns entes estatais.
A afirmação de que a Prefeitura do Município de SP se diz "surpreendida" frequentemente por ordens de seqüestro, não corresponde com a verdade pois os Precatórios são ordens judiciais cuja tramitação processual ensejou o amplo direito de defesa. Todos os processos são acompanhados dia a dia pelos Procuradores do Município que tomam conhecimento das pendências e pagamentos iminentes.
A lamentável entrevista do senhor Secretário Rodrigues, agredindo os credores, a advocacia e os cidadãos em geral, significa a ausência de sensibilidade por parte daqueles que deveriam primar pelo amor ao direito e pelo respeito às pessoas.
A PEC 12 (hoje 351, na Câmara dos Deputados) representa enorme agressão aos direitos humanos e à cidadania, cujo texto deve ser rejeitado por todos que acreditam num país que vive sob a égide do direito.
A OAB continuará acompanhando a PEC 12 e apresentando soluções práticas, objetivas e humanas para a solução do calote público brasileiro.
Orestes Muniz Filho, presidente"
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Klabin Segall vende ativo à Cyrela
Venda de participação em empresa por R$ 29,718 milhões fortalece o caixa da Klabin Segall
Portal EXAME - 04.06.2009 | 11h48
A construtora Klabin Segall anunciou nesta quarta-feira (03/06) a venda de 100% de sua participação na companhia Saracura Investimentos Imobiliários para a Cyrela. A aquisição de 10,5 milhões de ações, divulgada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), custou 29,718 milhões de reais à Cyrela.
A Klabin Segall detinha o controle da Saracura Investimentos em parceria com a Abyara. A companhia era responsável pela construção do empreendimento imobiliário Horizontes, no bairro do Butantã.
Endividada, a Klabin Segall foi vendida no final do mês de abril para o megainvestidor espanhol Enrique Bañuelos e para a construtora Agra. A venda segue a estratégia da companhia de se desfazer de alguns empreendimentos a fim de fortalecer seu caixa.
Às 11h30, os papéis ordinários da Klabin Segall (KSSA3, com direito a voto) estavam em queda de 3,14%, para 2,47 reais. Já as ações da compradora Cyrela estavam em alta de 2,92%, cotadas a 14,10 reais.
Venda de participação em empresa por R$ 29,718 milhões fortalece o caixa da Klabin Segall
Portal EXAME - 04.06.2009 | 11h48
A construtora Klabin Segall anunciou nesta quarta-feira (03/06) a venda de 100% de sua participação na companhia Saracura Investimentos Imobiliários para a Cyrela. A aquisição de 10,5 milhões de ações, divulgada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), custou 29,718 milhões de reais à Cyrela.
A Klabin Segall detinha o controle da Saracura Investimentos em parceria com a Abyara. A companhia era responsável pela construção do empreendimento imobiliário Horizontes, no bairro do Butantã.
Endividada, a Klabin Segall foi vendida no final do mês de abril para o megainvestidor espanhol Enrique Bañuelos e para a construtora Agra. A venda segue a estratégia da companhia de se desfazer de alguns empreendimentos a fim de fortalecer seu caixa.
Às 11h30, os papéis ordinários da Klabin Segall (KSSA3, com direito a voto) estavam em queda de 3,14%, para 2,47 reais. Já as ações da compradora Cyrela estavam em alta de 2,92%, cotadas a 14,10 reais.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
EUA veem estabilização no mercado imobiliário
Valor Econômico, 03/jun/09
A venda de casas usadas nos EUA subiu 6,7%, em abril, a quarta alta em cinco meses e a maior dos últimos sete anos. O resultado sinaliza que a queda dos preços no mercado imobiliário está atraindo compradores e que pode estar havendo uma estabilização do setor.
O aumento do número de contratos de aquisição de casas foi muito superior ao estimado pelos economistas consultados pela Bloomberg, que esperavam crescimento de apenas 0,5%.
O resultado foi a maior alta em sete anos. Em março, o indicador subiu 3,2%, de acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA (NAR, na sigla em inglês). Em relação ao mesmo mês do ano passado, o aumento foi de 3,2%.
"As condições de compra estão muito boas e o crédito de US$ 8 mil oferecido àqueles que estão fazendo a compra da primeira casa já rendeu impacto no mercado", disse Lawrence Yun, economista-chefe da NAR. "O mercado já bateu no fundo do poço em algumas áreas."
Mesmo assim, donos de imóveis têm se mostrado relutantes em vender, num momento de queda dos preços. E os compradores ainda se mostram tímidos e esperam que os novos incentivos do governo tenham maior impacto.
"Diante disso tudo, [o resultado] é uma notícia muito boa", disse Ian Shepherdson, economista-chefe para os EUA da High Frequency Economics. "Mas mesmo que o volume de vendas cresça, os preços das casas ainda vão se manter em queda, por causa do peso do estoque de casas retomadas por falta de pagamento."
Valor Econômico, 03/jun/09
A venda de casas usadas nos EUA subiu 6,7%, em abril, a quarta alta em cinco meses e a maior dos últimos sete anos. O resultado sinaliza que a queda dos preços no mercado imobiliário está atraindo compradores e que pode estar havendo uma estabilização do setor.
O aumento do número de contratos de aquisição de casas foi muito superior ao estimado pelos economistas consultados pela Bloomberg, que esperavam crescimento de apenas 0,5%.
O resultado foi a maior alta em sete anos. Em março, o indicador subiu 3,2%, de acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA (NAR, na sigla em inglês). Em relação ao mesmo mês do ano passado, o aumento foi de 3,2%.
"As condições de compra estão muito boas e o crédito de US$ 8 mil oferecido àqueles que estão fazendo a compra da primeira casa já rendeu impacto no mercado", disse Lawrence Yun, economista-chefe da NAR. "O mercado já bateu no fundo do poço em algumas áreas."
Mesmo assim, donos de imóveis têm se mostrado relutantes em vender, num momento de queda dos preços. E os compradores ainda se mostram tímidos e esperam que os novos incentivos do governo tenham maior impacto.
"Diante disso tudo, [o resultado] é uma notícia muito boa", disse Ian Shepherdson, economista-chefe para os EUA da High Frequency Economics. "Mas mesmo que o volume de vendas cresça, os preços das casas ainda vão se manter em queda, por causa do peso do estoque de casas retomadas por falta de pagamento."
Após altas, Fator recomenda cautela com ações de construção
Apesar da alta nas últimas semanas, corretora espera lucros menores com pouco impacto do pacote governamental
Portal EXAME - 29.04.2009 - 19h14
Desde o anúncio do governo de um programa habitacional de 34 milhões de reais, os papéis de construtoras e imobiliárias vêm se recuperando dos impactos da crise internacional. Após as recentes altas, porém, a Fator recomenda cautela aos investidores com as ações do setor.
Os analistas afirmaram acreditar que o pacote do Governo é positivo para o setor de construção civil. O foco voltado à população de baixa renda, contudo, faz com que o impacto seja mais limitado para as principais empresas, com preço unitário do imóvel médio de 40 mil reais à população de renda de até três salários mínimos.
"Atualmente, nenhuma incorporadora opera nesse segmento e possui esse tipo de produto. Do total de um milhão de moradias anunciadas, 70% do total serão destinadas à população com renda de até seis salários mínimos, faixa ainda não atendida pelas principais construtoras listadas", explicaram.
Na faixa de renda de seis a dez salários mínimos, o valor do imóvel é de 130 mil reais por unidade. Com isso, Tenda, MRV, Rodobens e PDG Realty devem ser as empresas mais beneficiadas pelo pacote, por causa do percentual do banco de terrenos dentro dessa faixa de preço.
A Fator explica a alta nos preços das ações das construtoras com a melhora do ânimo no setor a partir do anúncio do programa habitacional, além da expectativa de recuperação da demanda por imóveis e melhoria de percepção de risco por parte de investidores estrangeiros.
"Reiteramos cautela aos investidores, pois apesar de algumas incorporadoras terem apresentado resultados operacionais positivos, não observamos melhora consistente nas variáveis que determinam o consumo de imóveis", disse.
Para os três primeiros meses do ano, a expectativa é de lucro menor para a maior parte das companhias. As construtoras voltadas ao segmento de baixa renda devem obter melhores resultados nos próximos trimestres, pois, segundo a corretora, além da demanda pelo primeiro imóvel ter se mostrado mais forte, o índice de confiança do consumidor caiu menos nesse segmento.
Nesse cenário, a PDG Realty e a MRV são apontadas como as companhias com possíveis números mais positivos, devido à forte exposição ao segmento econômico e forte volume e velocidade de vendas no primeiro trimestre. Além disso, ambas possuem bom controle de custos, eficiência operacional e situação financeira confortável.
Lucro previsto para o primeiro trimestre de 2009 (R$ milhões)
Empresa Resultado 1T09
Resultado 1T08 Variação anual (%)
Brascan Company 21 46 -54,35
CCDI 8 68 -88,24
Cyrela 74 86 -13,95
Gafisa consolidadio 23 45 -48,89
Inpar 2 6 -66,67
Klabin Segall -9 12 -
MRV 42 51 -17,65
PDG Realty 82 51 60,78
Rodobens 17 18 -5,56
Rossi 37 20 85,00
Tecnisa 32 28 14,29
Nova Tenda 6 21 -71,43
Fonte: Empresas e Fator Corretora
Apesar da alta nas últimas semanas, corretora espera lucros menores com pouco impacto do pacote governamental
Portal EXAME - 29.04.2009 - 19h14
Desde o anúncio do governo de um programa habitacional de 34 milhões de reais, os papéis de construtoras e imobiliárias vêm se recuperando dos impactos da crise internacional. Após as recentes altas, porém, a Fator recomenda cautela aos investidores com as ações do setor.
Os analistas afirmaram acreditar que o pacote do Governo é positivo para o setor de construção civil. O foco voltado à população de baixa renda, contudo, faz com que o impacto seja mais limitado para as principais empresas, com preço unitário do imóvel médio de 40 mil reais à população de renda de até três salários mínimos.
"Atualmente, nenhuma incorporadora opera nesse segmento e possui esse tipo de produto. Do total de um milhão de moradias anunciadas, 70% do total serão destinadas à população com renda de até seis salários mínimos, faixa ainda não atendida pelas principais construtoras listadas", explicaram.
Na faixa de renda de seis a dez salários mínimos, o valor do imóvel é de 130 mil reais por unidade. Com isso, Tenda, MRV, Rodobens e PDG Realty devem ser as empresas mais beneficiadas pelo pacote, por causa do percentual do banco de terrenos dentro dessa faixa de preço.
A Fator explica a alta nos preços das ações das construtoras com a melhora do ânimo no setor a partir do anúncio do programa habitacional, além da expectativa de recuperação da demanda por imóveis e melhoria de percepção de risco por parte de investidores estrangeiros.
"Reiteramos cautela aos investidores, pois apesar de algumas incorporadoras terem apresentado resultados operacionais positivos, não observamos melhora consistente nas variáveis que determinam o consumo de imóveis", disse.
Para os três primeiros meses do ano, a expectativa é de lucro menor para a maior parte das companhias. As construtoras voltadas ao segmento de baixa renda devem obter melhores resultados nos próximos trimestres, pois, segundo a corretora, além da demanda pelo primeiro imóvel ter se mostrado mais forte, o índice de confiança do consumidor caiu menos nesse segmento.
Nesse cenário, a PDG Realty e a MRV são apontadas como as companhias com possíveis números mais positivos, devido à forte exposição ao segmento econômico e forte volume e velocidade de vendas no primeiro trimestre. Além disso, ambas possuem bom controle de custos, eficiência operacional e situação financeira confortável.
Lucro previsto para o primeiro trimestre de 2009 (R$ milhões)
Empresa Resultado 1T09
Resultado 1T08 Variação anual (%)
Brascan Company 21 46 -54,35
CCDI 8 68 -88,24
Cyrela 74 86 -13,95
Gafisa consolidadio 23 45 -48,89
Inpar 2 6 -66,67
Klabin Segall -9 12 -
MRV 42 51 -17,65
PDG Realty 82 51 60,78
Rodobens 17 18 -5,56
Rossi 37 20 85,00
Tecnisa 32 28 14,29
Nova Tenda 6 21 -71,43
Fonte: Empresas e Fator Corretora
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A HORA DOS "EDIFÍCIOS VERDES"
O Globo, 01/dez/08
Estima-se que os edifícios consumam mais de 40% de toda a energia produzida no mundo. Além disso, seriam responsáveis por 35% a 40% de todo o lixo derivado da ação humana. Para reduzir esses e outros impactos da construção civil no meio ambiente, bem como o alto custo da operação desses prédios, o setor tem investido em "edifícios verdes", projetos com uso mais racional de energia e água, entre outros requisitos. No Rio de Janeiro, um empreendimento nessa linha é o Ventura Corporate Towers, da Tishman Speyer e da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, que recebeu a pré-certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), da ONG americana U.S. Green Building Council.
Localizado no Centro, o prédio, de R$500 milhões, é composto de duas torres de escritórios de 36 andares. Em setembro, foi inaugurada uma delas, com 54 mil metros quadrados de área para locação (a outra será em 22 meses). Estar pré-certificado significa que foi apresentado um planejamento mostrando como os requisitos da Leed seriam atendidos. Agora, o empreendimento está sendo alvo de uma auditoria para receber a certificação. A Tishman é a responsável pelo projeto e pela administração do edifício, tendo entrado também com o investimento. A Camargo Corrêa ficou com a construção e também investiu na obra.
Compensa fazer um "edifício verde" - diz Luiz Henrique Ceotto, diretor de Projeto e Construção da Tishman. - Uma coisa é certa: as commodities energéticas e a água vão subir de preço muito acima da inflação nos próximos anos. Acabou a época de energia abundante, de água barata, de recursos naturais baratos. A possibilidade de um edifício convencional se tornar inviável é grande, porque o custo de operação pode ser praticamente igual ao valor dos aluguéis. A sustentabilidade é uma questão ética, mas hoje em dia é ainda mais uma questão econômica.
Segundo ele, um "edifício verde" tem custo 4% a 7% mais alto. O investimento a mais retorna em dois a três anos. Já o valor total é recuperado em cinco a sete anos, enquanto num prédio convencional o retorno leva de dez a 12 anos.
A certificação da Green Building leva em conta o empreendimento desde a obra. Na construção, por exemplo, é preciso usar madeira certificada e reciclar ao máximo o entulho.
O Ventura, segundo o diretor da Tishman, economizará cerca de 30% de energia. Para isso, o desenho do prédio privilegia o aproveitamento da claridade natural. Vidros especiais deixam a luz passar, mas não o calor, reduzindo a exigência de ar-condicionado. Além disso, um sistema computadorizado analisa a quantidade de CO2 em cada ambiente, determinando a troca ou não do ar (essa renovação gasta energia e não é necessária quando uma sala está vazia, por exemplo). A economia virá também dos elevadores, que reaproveitarão a energia de cada frenagem.
No caso da água, a redução prevista é de 40% a 50%, com aproveitamento da água da chuva e do ar-condicionado. Nos banheiros, torneiras são acionadas automaticamente e os vasos têm duas descargas: para dejetos líquidos (três litros de água) e sólidos (seis litros).
Diretor executivo do Green Building Council Brasil, Nelson Kawakami conta que já existem quatro espaços com a certificação Leed no país (três em São Paulo e um no Rio). Há 79 processos para certificação e a expectativa da entidade é fechar o ano com cem.
A construção de "edifícios verdes" é uma tendência. E a gente teve um crescimento rápido no Brasil, apesar de esse tipo de construção ainda ser uma parte pequena do mercado no país, menos de 1%.
O Globo, 01/dez/08
Estima-se que os edifícios consumam mais de 40% de toda a energia produzida no mundo. Além disso, seriam responsáveis por 35% a 40% de todo o lixo derivado da ação humana. Para reduzir esses e outros impactos da construção civil no meio ambiente, bem como o alto custo da operação desses prédios, o setor tem investido em "edifícios verdes", projetos com uso mais racional de energia e água, entre outros requisitos. No Rio de Janeiro, um empreendimento nessa linha é o Ventura Corporate Towers, da Tishman Speyer e da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, que recebeu a pré-certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), da ONG americana U.S. Green Building Council.
Localizado no Centro, o prédio, de R$500 milhões, é composto de duas torres de escritórios de 36 andares. Em setembro, foi inaugurada uma delas, com 54 mil metros quadrados de área para locação (a outra será em 22 meses). Estar pré-certificado significa que foi apresentado um planejamento mostrando como os requisitos da Leed seriam atendidos. Agora, o empreendimento está sendo alvo de uma auditoria para receber a certificação. A Tishman é a responsável pelo projeto e pela administração do edifício, tendo entrado também com o investimento. A Camargo Corrêa ficou com a construção e também investiu na obra.
Compensa fazer um "edifício verde" - diz Luiz Henrique Ceotto, diretor de Projeto e Construção da Tishman. - Uma coisa é certa: as commodities energéticas e a água vão subir de preço muito acima da inflação nos próximos anos. Acabou a época de energia abundante, de água barata, de recursos naturais baratos. A possibilidade de um edifício convencional se tornar inviável é grande, porque o custo de operação pode ser praticamente igual ao valor dos aluguéis. A sustentabilidade é uma questão ética, mas hoje em dia é ainda mais uma questão econômica.
Segundo ele, um "edifício verde" tem custo 4% a 7% mais alto. O investimento a mais retorna em dois a três anos. Já o valor total é recuperado em cinco a sete anos, enquanto num prédio convencional o retorno leva de dez a 12 anos.
A certificação da Green Building leva em conta o empreendimento desde a obra. Na construção, por exemplo, é preciso usar madeira certificada e reciclar ao máximo o entulho.
O Ventura, segundo o diretor da Tishman, economizará cerca de 30% de energia. Para isso, o desenho do prédio privilegia o aproveitamento da claridade natural. Vidros especiais deixam a luz passar, mas não o calor, reduzindo a exigência de ar-condicionado. Além disso, um sistema computadorizado analisa a quantidade de CO2 em cada ambiente, determinando a troca ou não do ar (essa renovação gasta energia e não é necessária quando uma sala está vazia, por exemplo). A economia virá também dos elevadores, que reaproveitarão a energia de cada frenagem.
No caso da água, a redução prevista é de 40% a 50%, com aproveitamento da água da chuva e do ar-condicionado. Nos banheiros, torneiras são acionadas automaticamente e os vasos têm duas descargas: para dejetos líquidos (três litros de água) e sólidos (seis litros).
Diretor executivo do Green Building Council Brasil, Nelson Kawakami conta que já existem quatro espaços com a certificação Leed no país (três em São Paulo e um no Rio). Há 79 processos para certificação e a expectativa da entidade é fechar o ano com cem.
A construção de "edifícios verdes" é uma tendência. E a gente teve um crescimento rápido no Brasil, apesar de esse tipo de construção ainda ser uma parte pequena do mercado no país, menos de 1%.
Projetos confirmados chegam a R$ 650 bilhões até 2012
Folha de São Paulo, 01/jun/09
A economia brasileira tem hoje um conjunto de investimentos avessos à turbulência econômica mundial. Trata-se de um bloco conciso de projetos "anticrise", de cerca de R$ 650 bilhões previsto para o período 2009-2012.
É o que aponta estudo sobre o panorama de investimentos divulgado pelo BNDES. Estes projetos estão concentrados nas áreas de petróleo e gás, energia elétrica, saneamento, telefonia, construção residencial e rodovias.
Segundo o banco, eles são hoje o esteio da economia brasileira, pois vão impedir que a taxa de investimentos do país desabe com a crise.
"Eles estão mantidos mesmo em meio à crise. São mais protegidos. Estão ligados à concorrência de mercado e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro", dizem os economistas Fernando Puga e Gilberto Borça Junior, da área de pesquisa econômica do BNDES.
O BNDES obteve suas informações diretamente das empresas públicas e privadas responsáveis pelos investimentos.
Gás na economia
O setor de petróleo e gás é o que mais promete investir-um total de R$ 300 bilhões entre 2009 e 2012. Só a Petrobras, com seu novo plano de negócios, divulgado em janeiro, responderá por 75% dos investimentos no setor.
Em telecomunicações, haveria projetos "irreversíveis" na terceira geração de telefonia móvel (3G), em infraestrutura óptica na telefonia fixa e na utilização do Wimax, sistema que oferece banda larga à distância.
Os investimentos garantidos pelo setor de telecomunicações entre 2009 e 2012 devem atingir R$ 78 bilhões. Eles não foram afetados pela crise, informa o BNDES.
Em setores como energia elétrica, transportes rodoviários, logística e saneamento, a projeção de investimentos está ancorada em contratos com o governo-leilões de energia elétrica e concessões de rodovias.
Energia elétrica destaca-se, com programas de investimento de R$ 141 bilhões no período. Dentro desse valor estão os projetos hidrelétricos Madeira, Belo Monte, Estreito e Foz do Chapecó. O investimento nestas hidrelétricas começará a ser feito até o final de 2009.
Investimentos em termelétricas deverão atingir R$ 10 bilhões já neste ano. Pequenas centrais hidrelétricas deverão atrair R$ 5 bilhões em 2009.
Na construção civil, o dinheiro virá essencialmente de medidas do governo de estímulo à construção de casas populares -entre elas, o programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que pretende viabilizar a construção de um milhão de moradias.
"Esse programa deve impactar os investimentos do setor ainda em 2009, embora seus efeitos sejam maiores em 2010 e 2011", diz o estudo do BNDES.
O expressivo número de lançamentos de imóveis pelas construtoras nos últimos anos também deverá garantir essa expansão dos investimentos, diz o estudo do BNDES.
Os projetos no setor de construção civil deverão compensar uma forte retração nos investimentos familiares na construção e reforma de casas.
Folha de São Paulo, 01/jun/09
A economia brasileira tem hoje um conjunto de investimentos avessos à turbulência econômica mundial. Trata-se de um bloco conciso de projetos "anticrise", de cerca de R$ 650 bilhões previsto para o período 2009-2012.
É o que aponta estudo sobre o panorama de investimentos divulgado pelo BNDES. Estes projetos estão concentrados nas áreas de petróleo e gás, energia elétrica, saneamento, telefonia, construção residencial e rodovias.
Segundo o banco, eles são hoje o esteio da economia brasileira, pois vão impedir que a taxa de investimentos do país desabe com a crise.
"Eles estão mantidos mesmo em meio à crise. São mais protegidos. Estão ligados à concorrência de mercado e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro", dizem os economistas Fernando Puga e Gilberto Borça Junior, da área de pesquisa econômica do BNDES.
O BNDES obteve suas informações diretamente das empresas públicas e privadas responsáveis pelos investimentos.
Gás na economia
O setor de petróleo e gás é o que mais promete investir-um total de R$ 300 bilhões entre 2009 e 2012. Só a Petrobras, com seu novo plano de negócios, divulgado em janeiro, responderá por 75% dos investimentos no setor.
Em telecomunicações, haveria projetos "irreversíveis" na terceira geração de telefonia móvel (3G), em infraestrutura óptica na telefonia fixa e na utilização do Wimax, sistema que oferece banda larga à distância.
Os investimentos garantidos pelo setor de telecomunicações entre 2009 e 2012 devem atingir R$ 78 bilhões. Eles não foram afetados pela crise, informa o BNDES.
Em setores como energia elétrica, transportes rodoviários, logística e saneamento, a projeção de investimentos está ancorada em contratos com o governo-leilões de energia elétrica e concessões de rodovias.
Energia elétrica destaca-se, com programas de investimento de R$ 141 bilhões no período. Dentro desse valor estão os projetos hidrelétricos Madeira, Belo Monte, Estreito e Foz do Chapecó. O investimento nestas hidrelétricas começará a ser feito até o final de 2009.
Investimentos em termelétricas deverão atingir R$ 10 bilhões já neste ano. Pequenas centrais hidrelétricas deverão atrair R$ 5 bilhões em 2009.
Na construção civil, o dinheiro virá essencialmente de medidas do governo de estímulo à construção de casas populares -entre elas, o programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que pretende viabilizar a construção de um milhão de moradias.
"Esse programa deve impactar os investimentos do setor ainda em 2009, embora seus efeitos sejam maiores em 2010 e 2011", diz o estudo do BNDES.
O expressivo número de lançamentos de imóveis pelas construtoras nos últimos anos também deverá garantir essa expansão dos investimentos, diz o estudo do BNDES.
Os projetos no setor de construção civil deverão compensar uma forte retração nos investimentos familiares na construção e reforma de casas.
Perto do sonho
O Dia, 31/mai/09
Rossi vai lançar 15 mil unidades no País pelo "Minha Casa, Minha Vida"
A Rossi Residencial anuncia que vai lançar 15 mil unidades no País ainda este ano pelo programa 'Minha Casa, Minha Vida'. O Estado do Rio será responsável por 20% do total, ou seja, 3 mil imóveis, que vão custar até R$ 130 mil. As principais vantagens são a taxa de juros baixa, o financiamento de até 30 anos e a utilização do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de imediato. Isso significa que se o trabalhador tiver saldo na conta vinculada poderá usá-lo como entrada, sem precisar recorrer a recursos próprios.
Segundo o diretor de vendas da Rossi, Leonardo Diniz, a incorporadora já tem experiência no segmento econômico com as marcas Villa Flora e Praças Residenciais: "Agora estamos lançando a Rossi Ideal para atuar na faixa do super econômico. Projetos para famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 4.650)".
Para o diretor regional da Rossi, Marco Adnet, o primeiro empreendimento da marca no Rio foi um sucesso de vendas. "O Rossi Ideal Vila Brasil, foi apresentado no feirão da Caixa e já está com 85% das unidades vendidas. Os benefícios com o pacote contemplam subsídios para compra da moradia de até R$ 23 mil", diz Adnet. Ele adianta que estuda terrenos na Zona Oeste para lançar o segundo empreendimento da marca, que poderá ter unidades a partir de R$ 42 mil.
O Dia, 31/mai/09
Rossi vai lançar 15 mil unidades no País pelo "Minha Casa, Minha Vida"
A Rossi Residencial anuncia que vai lançar 15 mil unidades no País ainda este ano pelo programa 'Minha Casa, Minha Vida'. O Estado do Rio será responsável por 20% do total, ou seja, 3 mil imóveis, que vão custar até R$ 130 mil. As principais vantagens são a taxa de juros baixa, o financiamento de até 30 anos e a utilização do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de imediato. Isso significa que se o trabalhador tiver saldo na conta vinculada poderá usá-lo como entrada, sem precisar recorrer a recursos próprios.
Segundo o diretor de vendas da Rossi, Leonardo Diniz, a incorporadora já tem experiência no segmento econômico com as marcas Villa Flora e Praças Residenciais: "Agora estamos lançando a Rossi Ideal para atuar na faixa do super econômico. Projetos para famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 4.650)".
Para o diretor regional da Rossi, Marco Adnet, o primeiro empreendimento da marca no Rio foi um sucesso de vendas. "O Rossi Ideal Vila Brasil, foi apresentado no feirão da Caixa e já está com 85% das unidades vendidas. Os benefícios com o pacote contemplam subsídios para compra da moradia de até R$ 23 mil", diz Adnet. Ele adianta que estuda terrenos na Zona Oeste para lançar o segundo empreendimento da marca, que poderá ter unidades a partir de R$ 42 mil.
Construção civil vive fase de redução geral de custos
Valor Econômico, Daniela D'Ambrosio, 01/jun
O otimismo das construtoras com o programa de habitação lançado pelo governo federal se transferiu para os fabricantes de materiais de construção. As empresas procuram soluções rápidas para atender uma demanda maior por produtos de menor preço. Para isso, alavancam suas marcas de combate e até investem no desenvolvimento de novos materiais, com custos que chegam a ser 50% mais baixos.
Para fechar grandes contratos com as construtoras - a escala é vital para compensar margens mais apertadas - as indústrias já começam a aumentar a produtividade. "Estamos implantando novos fornos para estarmos com a estrutura pronta para acompanhar a retomada do mercado", diz Marco Diehl, diretor da cerâmica Incefra. A empresa inaugurou sua terceira fábrica na Bahia há menos de um mês e iniciou nova planta em Fortaleza. Há quatro anos, ela desenvolveu um novo piso a pedido da Caixa Econômica Federal para obras do PAR (Programa de Arrendamento). Investiu R$ 15 milhões na mudança de linhas e agora está sendo procurada pelas construtoras para fornecer para o "Minha Casa, Minha Vida".
A Rodobens começa a economia pelo projeto. Diminuiu o número de paredes dos imóveis, por exemplo, e optou pelo modelo de construção industrializado. No fim, consegue uma economia total de 10% a 15%. Não é pouco para projetos voltados para famílias com renda de até 3 salários mínimos, faixa que concentra 60% dos R$ 34 milhões de subsídios do governo.
A Fabrimar criou no começo do ano uma linha para as classes C e D e vai lançar em agosto produtos ainda mais básicos. As torneiras chegam a ser até 50% mais baratas que as tradicionais. "A ideia de criar essa linha surgiu por causa do pacote do governo", admite José Fernando Caleiro, diretor comercial. Os produtos foram desenvolvidos após várias conversas com um grupo de 15 construtoras. "Para não perdermos receita com a venda de produtos muito mais baratos, na outra ponta estamos incrementando a linha de luxo", diz.
Para pintar 1 milhão de casas serão necessários cerca de 50 milhões de litros de tinta. A Suvinil, do grupo Basf, espera alavancar sua linha mais popular, a Glasurit, para vencer em um mercado pulverizado, com vários concorrentes de baixo preço.
Fabricantes correm para fornecer materiais populares
Ninguém quer perder o bonde da baixa renda. O otimismo quase exagerado das construtoras com o programa habitacional chegou ao elo anterior da cadeia e já muda os planos dos fabricantes de materiais de construção. As empresas estão trabalhando para responder, o quanto antes, à demanda das construtoras, que exigem sistemas mais eficientes e, sobretudo, baratos. Há desde fabricantes de materiais que aproveitam para alavancar as suas marcas de combate até as que investem no desenvolvimento de novos materiais com custos que chegam a ser 50% inferiores.
Para equacionar a queda da receita e as margens mais apertadas, os fabricantes procuram ganhar na escala - o objetivo é fechar grandes contratos com as construtoras. As indústrias já começam a aumentar a produtividade, como é o caso da cerâmica Incefra, para atender aos pedidos quando os empreendimentos estiverem em fase de acabamento. "Estamos implantando novos fornos para estarmos com a estrutura pronta para acompanhar a retomada do mercado de construção", afirma Marco Diehl, diretor de marketing. A Incefra inaugurou sua terceira fábrica na Bahia há menos de um mês e iniciou uma nova em Fortaleza - além de Cordeirópolis (SP).
Há quatro anos, a Incefra desenvolveu um novo piso a pedido da Caixa Econômica Federal para obras do PAR (Programa de Arrendamento). Investiu R$ 15 milhões na modificação das linhas e agora está sendo procurada pelas grandes construtoras para fornecer para o programa "Minha Casa, Minha Vida". "A Caixa queria um produto que tivesse um custo-benefício interessante, porque a má qualidade gera um custo de substituição e reposição muito alto", afirma Diehl.
O desafio é grande. As construtoras querem produtos baratos, mas não abrem mão da qualidade - até porque há especificidades e normas técnicas que precisam ser seguidas. Como conseguir isso? Deixando de lado o design, por exemplo, e fazendo produtos geometricamente mais simples e com processos de execução fabris mais baratos. "É assim que se consegue um produto econômico", diz Raul Penteado, CEO da Deca, do grupo Duratex, que faz metais e louças.
A Deca está estudando a fabricação, para o próximo ano, de produtos voltados diretamente às construtoras, embora já tenha linhas econômicas. A empresa venceu uma licitação de 3 milhões de peças para a CDHU, companhia de habitação do Estado de São Paulo. "Aumentou a necessidade das construtoras de desenvolver técnicas mais rápidas e baratas e ter um relacionamento próximo é fundamental no desenvolvimento de produtos", afirma Penteado.
A Rodobens Negócios Imobiliários, que faz casas populares em condomínios fechados no interior dos estados, começa a economia pelo projeto. Segundo Geraldo Cesta, diretor técnico, a empresa diminuiu a quantidade de paredes das casas. "Uma casa recortada ou com uma determinada fachada precisa de mais paredes internas", explica. A Rodobens escolheu o modelo de construção industrializado - no qual as paredes de concretos são erguidas sobre formas pré-moldadas e que dispensa o uso do tijolo, reboco e madeira. Por esse sistema, uma casa pode ficar pronta em 30 dias. "O processo permite uma economia total de 10% a 15%", diz Cesta. A companhia também só compra em grandes lotes e, com no máximo, 30 dias de antecedência para não ter o custo financeiro do estoque.
A MRV, que aumentou em 50% a sua projeção de vendas este ano por conta do pacote, para até R$ 2,9 bilhões, prefere a metodologia tradicional de construção. A empresa está comprando, por exemplo, blocos de menor resistência que não podem ser usados em apartamentos, mas se adequam às casas e cujo custo chega a ser 25% mais baixo, além das linhas básicas de cerâmica, louça e tinta. Também está testando um novo modelo de esquadrias de alumínio. "Construção não tem segredo: é custo por metro quadrado, é aí que tem que se conseguir a redução", diz Darnon Medeiros, gestor de suprimentos.
Cada real faz diferença nos novos projetos, especialmente para atuar no segmento de até três salários mínimos, que concentra 60% dos R$ 34 milhões de subsídios do governo. Nessa faixa, o preço é fixado conforme a região e varia de R$ 38 mil a R$ 52mil.
A Fabrimar, empresa de metais, se prepara para lançar, em agosto, uma linha econômica, totalmente voltada ao novo pacote e vendida diretamente às construtoras. As torneiras chegam a ser até 50% mais baratas que os produtos tradicionais. Os itens foram desenvolvidos depois de várias conversas com um grupo de 15 construtoras e a redução de preço foi possível por conta da queda de preço do latão (metal), que chegou a cair 20%, e do investimento de R$ 4 milhões que já vinha fazendo para concorrer com produtos chineses. A Fabrimar teve receita bruta de R$ 130 milhões em 2008 e a expectativa é crescer entre 5% e 8% este ano. "Para não perdermos receita com a venda de produtos muito mais baratos, estamos incrementando a linha de luxo, na outra ponta", diz José Fernando Caleiro, diretor.
A UBV, União Brasileira de Vidros, empresa especializada na fabricação de impressos (canelado ou chapiscado, usado na área de serviço e banheiro), fez vários testes durante seis meses e reduziu a espessura do vidro e o peso em 10% para chegar a um produto cerca de 12% mais barato. Se houver redução do gás, usado nos fornos, - a expectativa é de queda na próxima revisão tarifária - o produto pode ficar baratear mais, já que o gás representa de 25% a 30% do custo. "Vamos buscar a recuperação das vendas, que caíram 20%, com esse produto", afirma Sérgio Minerbo, presidente. A UBV teve receita líquida de R$ 75 milhões em 2008.
A indústria de alumínio espera acréscimo anual médio de 10% nos próximos três anos por conta do pacote. A construção civil consome 120 mil toneladas de alumínio por ano (12% do total) e a expectativa é de uma adição de 40 mil toneladas nesse período. Além das esquadrias, as empresas também desenvolvem as fôrmas usadas nos pré-moldados. "A indústria de alumínio teve que melhorar seu senso de urgência para atender as construtoras", diz José Noronha, diretor da Associação Brasileira da Indústria do Alumínio (Abal).
Para pintar 1 milhão de casas serão necessárias cerca de 50 milhões de litros de tinta. Em um mercado extremamente pulverizado, com várias concorrentes de baixo preço, a Suvinil, do grupo Basf, pretende alavancar a sua linha mais popular, a Glasurit.
Valor Econômico, Daniela D'Ambrosio, 01/jun
O otimismo das construtoras com o programa de habitação lançado pelo governo federal se transferiu para os fabricantes de materiais de construção. As empresas procuram soluções rápidas para atender uma demanda maior por produtos de menor preço. Para isso, alavancam suas marcas de combate e até investem no desenvolvimento de novos materiais, com custos que chegam a ser 50% mais baixos.
Para fechar grandes contratos com as construtoras - a escala é vital para compensar margens mais apertadas - as indústrias já começam a aumentar a produtividade. "Estamos implantando novos fornos para estarmos com a estrutura pronta para acompanhar a retomada do mercado", diz Marco Diehl, diretor da cerâmica Incefra. A empresa inaugurou sua terceira fábrica na Bahia há menos de um mês e iniciou nova planta em Fortaleza. Há quatro anos, ela desenvolveu um novo piso a pedido da Caixa Econômica Federal para obras do PAR (Programa de Arrendamento). Investiu R$ 15 milhões na mudança de linhas e agora está sendo procurada pelas construtoras para fornecer para o "Minha Casa, Minha Vida".
A Rodobens começa a economia pelo projeto. Diminuiu o número de paredes dos imóveis, por exemplo, e optou pelo modelo de construção industrializado. No fim, consegue uma economia total de 10% a 15%. Não é pouco para projetos voltados para famílias com renda de até 3 salários mínimos, faixa que concentra 60% dos R$ 34 milhões de subsídios do governo.
A Fabrimar criou no começo do ano uma linha para as classes C e D e vai lançar em agosto produtos ainda mais básicos. As torneiras chegam a ser até 50% mais baratas que as tradicionais. "A ideia de criar essa linha surgiu por causa do pacote do governo", admite José Fernando Caleiro, diretor comercial. Os produtos foram desenvolvidos após várias conversas com um grupo de 15 construtoras. "Para não perdermos receita com a venda de produtos muito mais baratos, na outra ponta estamos incrementando a linha de luxo", diz.
Para pintar 1 milhão de casas serão necessários cerca de 50 milhões de litros de tinta. A Suvinil, do grupo Basf, espera alavancar sua linha mais popular, a Glasurit, para vencer em um mercado pulverizado, com vários concorrentes de baixo preço.
Fabricantes correm para fornecer materiais populares
Ninguém quer perder o bonde da baixa renda. O otimismo quase exagerado das construtoras com o programa habitacional chegou ao elo anterior da cadeia e já muda os planos dos fabricantes de materiais de construção. As empresas estão trabalhando para responder, o quanto antes, à demanda das construtoras, que exigem sistemas mais eficientes e, sobretudo, baratos. Há desde fabricantes de materiais que aproveitam para alavancar as suas marcas de combate até as que investem no desenvolvimento de novos materiais com custos que chegam a ser 50% inferiores.
Para equacionar a queda da receita e as margens mais apertadas, os fabricantes procuram ganhar na escala - o objetivo é fechar grandes contratos com as construtoras. As indústrias já começam a aumentar a produtividade, como é o caso da cerâmica Incefra, para atender aos pedidos quando os empreendimentos estiverem em fase de acabamento. "Estamos implantando novos fornos para estarmos com a estrutura pronta para acompanhar a retomada do mercado de construção", afirma Marco Diehl, diretor de marketing. A Incefra inaugurou sua terceira fábrica na Bahia há menos de um mês e iniciou uma nova em Fortaleza - além de Cordeirópolis (SP).
Há quatro anos, a Incefra desenvolveu um novo piso a pedido da Caixa Econômica Federal para obras do PAR (Programa de Arrendamento). Investiu R$ 15 milhões na modificação das linhas e agora está sendo procurada pelas grandes construtoras para fornecer para o programa "Minha Casa, Minha Vida". "A Caixa queria um produto que tivesse um custo-benefício interessante, porque a má qualidade gera um custo de substituição e reposição muito alto", afirma Diehl.
O desafio é grande. As construtoras querem produtos baratos, mas não abrem mão da qualidade - até porque há especificidades e normas técnicas que precisam ser seguidas. Como conseguir isso? Deixando de lado o design, por exemplo, e fazendo produtos geometricamente mais simples e com processos de execução fabris mais baratos. "É assim que se consegue um produto econômico", diz Raul Penteado, CEO da Deca, do grupo Duratex, que faz metais e louças.
A Deca está estudando a fabricação, para o próximo ano, de produtos voltados diretamente às construtoras, embora já tenha linhas econômicas. A empresa venceu uma licitação de 3 milhões de peças para a CDHU, companhia de habitação do Estado de São Paulo. "Aumentou a necessidade das construtoras de desenvolver técnicas mais rápidas e baratas e ter um relacionamento próximo é fundamental no desenvolvimento de produtos", afirma Penteado.
A Rodobens Negócios Imobiliários, que faz casas populares em condomínios fechados no interior dos estados, começa a economia pelo projeto. Segundo Geraldo Cesta, diretor técnico, a empresa diminuiu a quantidade de paredes das casas. "Uma casa recortada ou com uma determinada fachada precisa de mais paredes internas", explica. A Rodobens escolheu o modelo de construção industrializado - no qual as paredes de concretos são erguidas sobre formas pré-moldadas e que dispensa o uso do tijolo, reboco e madeira. Por esse sistema, uma casa pode ficar pronta em 30 dias. "O processo permite uma economia total de 10% a 15%", diz Cesta. A companhia também só compra em grandes lotes e, com no máximo, 30 dias de antecedência para não ter o custo financeiro do estoque.
A MRV, que aumentou em 50% a sua projeção de vendas este ano por conta do pacote, para até R$ 2,9 bilhões, prefere a metodologia tradicional de construção. A empresa está comprando, por exemplo, blocos de menor resistência que não podem ser usados em apartamentos, mas se adequam às casas e cujo custo chega a ser 25% mais baixo, além das linhas básicas de cerâmica, louça e tinta. Também está testando um novo modelo de esquadrias de alumínio. "Construção não tem segredo: é custo por metro quadrado, é aí que tem que se conseguir a redução", diz Darnon Medeiros, gestor de suprimentos.
Cada real faz diferença nos novos projetos, especialmente para atuar no segmento de até três salários mínimos, que concentra 60% dos R$ 34 milhões de subsídios do governo. Nessa faixa, o preço é fixado conforme a região e varia de R$ 38 mil a R$ 52mil.
A Fabrimar, empresa de metais, se prepara para lançar, em agosto, uma linha econômica, totalmente voltada ao novo pacote e vendida diretamente às construtoras. As torneiras chegam a ser até 50% mais baratas que os produtos tradicionais. Os itens foram desenvolvidos depois de várias conversas com um grupo de 15 construtoras e a redução de preço foi possível por conta da queda de preço do latão (metal), que chegou a cair 20%, e do investimento de R$ 4 milhões que já vinha fazendo para concorrer com produtos chineses. A Fabrimar teve receita bruta de R$ 130 milhões em 2008 e a expectativa é crescer entre 5% e 8% este ano. "Para não perdermos receita com a venda de produtos muito mais baratos, estamos incrementando a linha de luxo, na outra ponta", diz José Fernando Caleiro, diretor.
A UBV, União Brasileira de Vidros, empresa especializada na fabricação de impressos (canelado ou chapiscado, usado na área de serviço e banheiro), fez vários testes durante seis meses e reduziu a espessura do vidro e o peso em 10% para chegar a um produto cerca de 12% mais barato. Se houver redução do gás, usado nos fornos, - a expectativa é de queda na próxima revisão tarifária - o produto pode ficar baratear mais, já que o gás representa de 25% a 30% do custo. "Vamos buscar a recuperação das vendas, que caíram 20%, com esse produto", afirma Sérgio Minerbo, presidente. A UBV teve receita líquida de R$ 75 milhões em 2008.
A indústria de alumínio espera acréscimo anual médio de 10% nos próximos três anos por conta do pacote. A construção civil consome 120 mil toneladas de alumínio por ano (12% do total) e a expectativa é de uma adição de 40 mil toneladas nesse período. Além das esquadrias, as empresas também desenvolvem as fôrmas usadas nos pré-moldados. "A indústria de alumínio teve que melhorar seu senso de urgência para atender as construtoras", diz José Noronha, diretor da Associação Brasileira da Indústria do Alumínio (Abal).
Para pintar 1 milhão de casas serão necessárias cerca de 50 milhões de litros de tinta. Em um mercado extremamente pulverizado, com várias concorrentes de baixo preço, a Suvinil, do grupo Basf, pretende alavancar a sua linha mais popular, a Glasurit.
Secovi prevê "ano do crédito imobiliário" por conta de R$ 80 bi
DCI, 01/jun/09
Os montantes de recursos disponíveis em financiamentos para o setor de habitação brasileiro, calculados na casa dos R$ 80 bilhões, devem transformar 2009 no ano do crédito imobiliário. Pelo menos é o que crê Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário) e que também exerce a função de diretor executivo da vice-presidência de Incorporação Imobiliária e membro do Conselho Curador do FGTS.
"O primeiro fator, sem dúvida nenhuma, foi o anúncio, pelo governo federal, do programa Minha Casa, Minha Vida", colocou o economista ao incluir o setor produtivo e a Caixa Econômica Federal como protagonistas do processo de reaceleração da construção, após a turbulência econômica mundial.
Petrucci coloca que a reação do mercado imobiliário atingiu vários estados brasileiros com a crescente venda "não só para produtos destinados às famílias de mais baixa renda", como também para produtos destinados a faixas maiores de renda, analisou o executivo ao sinalizar um primeiro trimestre quase tão aquecido quanto foram os três primeiros meses de 2008.
O cálculo é que mais de 50 mil imóveis tiveram a liberação do financiamento, em menos de um mês, em que foi iniciada a operação do pacote federal (anunciado no final de março), de acordo como a Caixa Econômica Federal.
Aceleração
Também existem iniciativas de fomento à habitação, previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); uma delas é o investimento de R$ 495 milhões, no Complexo do Alemão, área composta por vários morros do Rio de Janeiro, que abrigam algumas comunidades e favelas. Lá, o Consórcio Rio Melhor, constituído pela Odebrecht, a OAS e a Delta, é o responsável pelas obras e onde serão entregues as primeiras 56 casas populares, este mês.
As unidades habitacionais têm dois dormitórios, fazem parte de uma primeira etapa, em que também estão em finalização outras 96 moradias, a serem disponibilizadas dentro de um mês de acordo com informações do consórcio.
O plano de urbanização de parte do complexo inclui ainda obras de drenagem, esgoto, rede de água e pavimentação. Duas estações de teleféricos também fazem parte do projeto, que contempla mais 660 casas em diferentes áreas.
DCI, 01/jun/09
Os montantes de recursos disponíveis em financiamentos para o setor de habitação brasileiro, calculados na casa dos R$ 80 bilhões, devem transformar 2009 no ano do crédito imobiliário. Pelo menos é o que crê Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário) e que também exerce a função de diretor executivo da vice-presidência de Incorporação Imobiliária e membro do Conselho Curador do FGTS.
"O primeiro fator, sem dúvida nenhuma, foi o anúncio, pelo governo federal, do programa Minha Casa, Minha Vida", colocou o economista ao incluir o setor produtivo e a Caixa Econômica Federal como protagonistas do processo de reaceleração da construção, após a turbulência econômica mundial.
Petrucci coloca que a reação do mercado imobiliário atingiu vários estados brasileiros com a crescente venda "não só para produtos destinados às famílias de mais baixa renda", como também para produtos destinados a faixas maiores de renda, analisou o executivo ao sinalizar um primeiro trimestre quase tão aquecido quanto foram os três primeiros meses de 2008.
O cálculo é que mais de 50 mil imóveis tiveram a liberação do financiamento, em menos de um mês, em que foi iniciada a operação do pacote federal (anunciado no final de março), de acordo como a Caixa Econômica Federal.
Aceleração
Também existem iniciativas de fomento à habitação, previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); uma delas é o investimento de R$ 495 milhões, no Complexo do Alemão, área composta por vários morros do Rio de Janeiro, que abrigam algumas comunidades e favelas. Lá, o Consórcio Rio Melhor, constituído pela Odebrecht, a OAS e a Delta, é o responsável pelas obras e onde serão entregues as primeiras 56 casas populares, este mês.
As unidades habitacionais têm dois dormitórios, fazem parte de uma primeira etapa, em que também estão em finalização outras 96 moradias, a serem disponibilizadas dentro de um mês de acordo com informações do consórcio.
O plano de urbanização de parte do complexo inclui ainda obras de drenagem, esgoto, rede de água e pavimentação. Duas estações de teleféricos também fazem parte do projeto, que contempla mais 660 casas em diferentes áreas.
domingo, 31 de maio de 2009
Mais perto do mercado chinês
Por Fabiane Stefano | 27/05/2009 - 23:59
A notícia saiu com mais de uma semana de atraso, mas saiu. A China divulgou a lista com 22 frigoríficos brasileiros autorizados a exportar frango para o mercado chinês, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Empresas e entidades ligadas ao setor exportador davam como certa que a divulgação ocorreria durante a viagem oficial do presidente Lula à China. Várias reuniões ocorreram em Pequim, mas nenhum documento foi emitido. Em dezembro do ano passado, o governo chinês já havia anunciado a habilitação das empresas brasileiras, mas sem as licenças emitidas nada aconteceu. O Ministério da Agricultura estima o mercado chinês de importação de aves em cerca de 1 bilhão dólares por ano. Agora, com as licenças, o início dos embarques pode acontecer a qualquer momento. Mas será que agora vai?
Por Fabiane Stefano | 27/05/2009 - 23:59
A notícia saiu com mais de uma semana de atraso, mas saiu. A China divulgou a lista com 22 frigoríficos brasileiros autorizados a exportar frango para o mercado chinês, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Empresas e entidades ligadas ao setor exportador davam como certa que a divulgação ocorreria durante a viagem oficial do presidente Lula à China. Várias reuniões ocorreram em Pequim, mas nenhum documento foi emitido. Em dezembro do ano passado, o governo chinês já havia anunciado a habilitação das empresas brasileiras, mas sem as licenças emitidas nada aconteceu. O Ministério da Agricultura estima o mercado chinês de importação de aves em cerca de 1 bilhão dólares por ano. Agora, com as licenças, o início dos embarques pode acontecer a qualquer momento. Mas será que agora vai?
GM define com Obama detalhes para pedir concordata na segunda-feira
Neil King Jr., John D. Stoll, Kevin Helliker e Sharon Terlep, The Wall Street Journal
A administração Obama está preparando a condução da General Motors (GM) para uma corte de falências na segunda-feira e assim conseguir a aprovação de um plano de reestruturação que vai custar aos contribuintes americanos bilhões de dólares mais que o anteriormente previsto, e transformar aquela que já foi uma das maiores e mais lucrativas companhias do mundo em um projeto de recuperação controlado pelo governo.
Neil King Jr., John D. Stoll, Kevin Helliker e Sharon Terlep, The Wall Street Journal
A administração Obama está preparando a condução da General Motors (GM) para uma corte de falências na segunda-feira e assim conseguir a aprovação de um plano de reestruturação que vai custar aos contribuintes americanos bilhões de dólares mais que o anteriormente previsto, e transformar aquela que já foi uma das maiores e mais lucrativas companhias do mundo em um projeto de recuperação controlado pelo governo.
MRV quer até R$ 550 mi com oferta de ações
Valor Online - 29/05/2009 - 19:43
SÃO PAULO - A incorporadora imobiliária MRV Engenharia anunciou na noite desta sexta-feira que seu conselho de administração aprovou a realização de uma oferta pública primária e secundária de ações no valor de R$ 420 milhões a R$ 550 milhões.
A companhia revelou que o preço da ação a ser vendido dependerá da cotação dos papéis na Bovespa e também do processo de coleta de intenção de investimento (bookbuilding). Os coordenadores da oferta serão UBS Pactual e Credit Suisse.
Segundo a companhia, do total da operação, de R$ 350 milhões a R$ 450 milhões devem ser colocados na oferta primária, na qual o dinheiro vai para o caixa da empresa. Já um montante de R$ 70 milhões a R$ 100 milhões deve ser vendido na oferta secundária, dos atuais controladores.
Apesar de fazer a estimativa, a empresa alerta a que a operação pode ficar fora desta faixa, a depender das condições de mercado.
Valor Online - 29/05/2009 - 19:43
SÃO PAULO - A incorporadora imobiliária MRV Engenharia anunciou na noite desta sexta-feira que seu conselho de administração aprovou a realização de uma oferta pública primária e secundária de ações no valor de R$ 420 milhões a R$ 550 milhões.
A companhia revelou que o preço da ação a ser vendido dependerá da cotação dos papéis na Bovespa e também do processo de coleta de intenção de investimento (bookbuilding). Os coordenadores da oferta serão UBS Pactual e Credit Suisse.
Segundo a companhia, do total da operação, de R$ 350 milhões a R$ 450 milhões devem ser colocados na oferta primária, na qual o dinheiro vai para o caixa da empresa. Já um montante de R$ 70 milhões a R$ 100 milhões deve ser vendido na oferta secundária, dos atuais controladores.
Apesar de fazer a estimativa, a empresa alerta a que a operação pode ficar fora desta faixa, a depender das condições de mercado.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
"MINHA CASA, MINHA VIDA"
Quinta-feira, 28/5/2009 12:44:00
A CBIC apresentou este mês à Caixa Econômica Federal, como resultado da reunião do Conselho de Administração da entidade do último dia 13, algumas questões operacionais detectadas pelas empresas do setor da construção referentes ao Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV).
Uma delas refere-se à interpretação de algumas Gidurs/Caixa quanto à liberação de empreendimentos próximos às obras do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) já terminadas.
Alguns estados não estão aceitando empreendimentos do Programa. Há um receio de que a inadimplência aumente nesses locais, em razão da diferença do valor da prestação do imóvel.
Em contato ontem com a CBIC, a Caixa informou que a questão dos entraves referentes à construção de unidades habitacionais em áreas próximas às antigas obras do PAR será superada na versão do manual que será divulgado na próxima semana pela instituição, garantindo o andamento normal dos projetos.
Quinta-feira, 28/5/2009 12:44:00
A CBIC apresentou este mês à Caixa Econômica Federal, como resultado da reunião do Conselho de Administração da entidade do último dia 13, algumas questões operacionais detectadas pelas empresas do setor da construção referentes ao Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV).
Uma delas refere-se à interpretação de algumas Gidurs/Caixa quanto à liberação de empreendimentos próximos às obras do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) já terminadas.
Alguns estados não estão aceitando empreendimentos do Programa. Há um receio de que a inadimplência aumente nesses locais, em razão da diferença do valor da prestação do imóvel.
Em contato ontem com a CBIC, a Caixa informou que a questão dos entraves referentes à construção de unidades habitacionais em áreas próximas às antigas obras do PAR será superada na versão do manual que será divulgado na próxima semana pela instituição, garantindo o andamento normal dos projetos.
AJUSTES E AVANÇOS DO "MINHA CASA, MINHA VIDA"
Sexta-feira, 29/5/2009 10:30:00
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC, Paulo Safady Simão, participou nesta quinta-feira (28) do seminário "Minha Casa, Minha Vida: ajustes e avanços", organizado pelo Sinduscon do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Além de Simão, participaram do evento a superintendente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Bernadete Coury; o presidente do Sinduscon-RS, Carlos Alberto Aita, além diversos empresários do setor, deputados estaduais, vereadores e prefeitos da região metropolitana da capital gaúcha.
Em entrevista coletiva antes do seminário, Simão lembrou que o Minha Casa, Minha Vida é o primeiro programa habitacional do país voltado 100% para a iniciativa privada. "Agora, depende muito mais de nós tomarmos a iniciativa e fazer com que o projeto dê certo", afirmou.
Bernadete Coury atualizou os presentes com os números mais recentes de empreendimentos apresentados à Caixa para participação no MCMV. Já estão em análise, pelo banco, pouco mais de 73 mil unidades (de 405 projetos). "Já temos alguns projetos até mesmo assinados e aprovados", revelou a superintendente. Nessa situação mais adiantada, há 3,3 mil unidades. A previsão de entrega das primeiras casas é de dez a doze meses.
Paulo Simão elogiou a participação da Caixa nas reuniões feitas pela CBIC com associados em todo o país para explicar melhor o Minha Casa, Minha Vida - e também sanar problemas locais que por ventura possam surgir no âmbito do programa. "A interação da CBIC com a Caixa e o Ministério das Cidades é fundamental para vencermos os gargalos do programa. Estamos viajando o Brasil para isso, para resolver as pendências", afirmou Simão.
O presidente da CBIC apontou a greve de engenheiros da Caixa como um problema. "É uma questão grave que o governo precisa superar. Ainda não afetou diretamente o Minha Casa, Minha Vida porque o programa ainda está no início. Mas em breve pode ser um entrave", disse.
Sexta-feira, 29/5/2009 10:30:00
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC, Paulo Safady Simão, participou nesta quinta-feira (28) do seminário "Minha Casa, Minha Vida: ajustes e avanços", organizado pelo Sinduscon do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Além de Simão, participaram do evento a superintendente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Bernadete Coury; o presidente do Sinduscon-RS, Carlos Alberto Aita, além diversos empresários do setor, deputados estaduais, vereadores e prefeitos da região metropolitana da capital gaúcha.
Em entrevista coletiva antes do seminário, Simão lembrou que o Minha Casa, Minha Vida é o primeiro programa habitacional do país voltado 100% para a iniciativa privada. "Agora, depende muito mais de nós tomarmos a iniciativa e fazer com que o projeto dê certo", afirmou.
Bernadete Coury atualizou os presentes com os números mais recentes de empreendimentos apresentados à Caixa para participação no MCMV. Já estão em análise, pelo banco, pouco mais de 73 mil unidades (de 405 projetos). "Já temos alguns projetos até mesmo assinados e aprovados", revelou a superintendente. Nessa situação mais adiantada, há 3,3 mil unidades. A previsão de entrega das primeiras casas é de dez a doze meses.
Paulo Simão elogiou a participação da Caixa nas reuniões feitas pela CBIC com associados em todo o país para explicar melhor o Minha Casa, Minha Vida - e também sanar problemas locais que por ventura possam surgir no âmbito do programa. "A interação da CBIC com a Caixa e o Ministério das Cidades é fundamental para vencermos os gargalos do programa. Estamos viajando o Brasil para isso, para resolver as pendências", afirmou Simão.
O presidente da CBIC apontou a greve de engenheiros da Caixa como um problema. "É uma questão grave que o governo precisa superar. Ainda não afetou diretamente o Minha Casa, Minha Vida porque o programa ainda está no início. Mas em breve pode ser um entrave", disse.
IMÓVEIS FACILITADOS
O Fluminense, 29/05/09
O financiamento ficou um pouco mais barato para as famílias de classe média que pretendem comprar imóvel de R$ 500 mil. É que a maioria dos bancos está baixando os juros cobrados no sitema financeiro da Habitação, que usa recursos da poupança. Ontem, o HSBC anunciou que, a partir de primeiro de junho, a taxa para financiamento pode imóveis acima de R$ 150 mil terá redução de um ponto percentual, passando de 12% para 11% ao ano. Na última segunda-feira, o Bradesco fez o mesmo: nos imóveis de R$ 120 mil, a taxa passou de 10% para 8,9% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR). "Os bancos estão antecipando a tendência de queda da taxa Selic", comentou o economista Manuel Enriquez.
O Fluminense, 29/05/09
O financiamento ficou um pouco mais barato para as famílias de classe média que pretendem comprar imóvel de R$ 500 mil. É que a maioria dos bancos está baixando os juros cobrados no sitema financeiro da Habitação, que usa recursos da poupança. Ontem, o HSBC anunciou que, a partir de primeiro de junho, a taxa para financiamento pode imóveis acima de R$ 150 mil terá redução de um ponto percentual, passando de 12% para 11% ao ano. Na última segunda-feira, o Bradesco fez o mesmo: nos imóveis de R$ 120 mil, a taxa passou de 10% para 8,9% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR). "Os bancos estão antecipando a tendência de queda da taxa Selic", comentou o economista Manuel Enriquez.
Companhias de capital aberto mostram boa perfomance
Gazeta Mercantil, Natália Flach, 28/mai/09
As empresas do mercado imobiliário tiveram, em geral, boa performance no primeiro trimestre do ano. "Uma parte relevante da crise foi atravessada com saúde", analisa Ricardo Almeida, professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa Agora (Insper). Ele acrescenta que as companhias estão sabendo trabalhar bem com o mercado de ações, e, que durante esse período, não correram risco de falir nem de cancelar a entrega de empreendimentos. Isso só foi possível porque as companhias adotaram a estratégia de postergar os seus lançamentos, para assim, assegurar um bom volume no caixa.
Segundo o professor da Insper, as empresas que melhor performaram foram aquelas que souberam ajustar a sua estrutura rapidamente. É o caso da EZTEC, por exemplo, que teve um resultado financeiro positivo devido às despesas operacionais, que foram 34% menores no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2008. A Inpar, por sua vez, teve um aumento de 33% na comparação dos dois períodos. A empresa declarou, em seu balanço, que vai reduzir as despesas no segundo trimestre.
Segundo Patrick Correa, analista da Máxima, a Rossi lançou R$ 143 milhões enquanto teve R$ 283 milhões em vendas contratadas. A Gafisa foi outra empresa que também foi bem no trimestre. Lançou R$ 160 milhões e vendeu R$ 558 milhões. A Klabin Segall não fez lançamentos e vendeu R$ 117 milhões. A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) e a Tenda fizeram o mesmo: não lançou, mas venderam bem. A primeira vendeu R$ 121 milhões de estoque e a outra, R$ 252 mil.
A empresa que mais vendeu foi a PDG, com R$ 719 milhões. E a Cyrela foi a única que lançou mais do que vendeu no período, somando R$ 60 milhões ao estoque. "A Tecnisa teve recuperação das vendas do quarto trimestre, a Rossi, por sua vez, teve recuperação na velocidade de vendas e a Gafisa teve um dos maiores lucros, de R$ 37 milhões", afirma Correa. O analista diz que a estratégia de queimar estoque foi motivada "pela prioridade dada aos projetos rentáveis e com margens maiores".
O analista diz ainda que 83% dos terrenos da Gafisa são elegíveis ao pacote habitacional do governo, enquanto da MRV chegam a 75% e da Rodobens, 95%. "Todas as empresas tiveram lucro, menos a Inpar, que teve R$ 18 milhões de prejuízo. Mas é bom lembrar que ela está capitalizada", afirma.
Para David Lawant, analista da Itaú Corretora, o resultado operacional das empresas foi fraco, "mas eu esperava que fosse ainda mais fraco". As boas surpresas do trimestre, na opinião do analista, foram a PDG, MRV e a Gafisa. Mas ele espera que nos próximos três meses os resultados vão ser mais fortes. "Acho que o pacote ajudou bastante, tanto é que algumas empresas mudaram o seu guidance", afirma.
Empresas
Luiz Rogélio Tolosa, diretor executivo de Relações Institucionais e com Investidores da Brascan, diz que o grande feito da companhia foi conseguir ler o mercado. "Percebemos que iria cair a oferta, mas não a demanda. Então, quem tivesse produtos na prateleira se sairia muito bem." Por isso mesmo, a Brascan aumentou em 110% o número de lançamentos, em relação ao primeiro trimestre de 2008. Foram R$ 267 milhões de lançamento e R$ 307 milhões em vendas contratadas. "Provamos que não havia tragédia no mercado", completa.
"Do ponto de vista contábil, embora o faturamento tenha aumentado, reprogramamos as nossas obras, o que não significa atraso. Caixa é fundamental e o crédito estava muito difícil." O caixa da empresa está tranquilo com R$ 2,5 bilhões. No momento da fusão com a Company, no terceiro trimestre de 2008, a dívida líquida da Brascan já era de R$ 436,6 milhões. A parceria utilizou R$ 200 milhões de caixa, elevando a dívida líquida para R$ 636,6 milhões. Ao final do primeiro trimestre de 2009, a dívida líquida era de R$ 796,1 milhões, que representa apenas 46,0% do Patrimônio Líquido.
Desta forma, "a Brascan entende que a dívida cresceu de forma lenta, refletindo principalmente o aumento nos lançamentos e as despesas que são naturais de uma fusão, como por exemplo investimento em sistema e consultorias".
Eduardo Cytrynowicz, diretor-adjunto de Relações com Investidor da Even, diz que do ponto de vista de receita o volume de vendas foi muito parecido com o do fim do ano passado. "A gente segurou os lançamentos. Só lançamos quando o financiamento está contratado, a demanda é garantida e há construtibilidade", diz.
Segundo ele, o custo operacional está controlado. "Readequamos a nossa estrutura e a nossa posição de caixa é confortável, com R$ 288 milhões, no primeiro trimestre de 2009. Fizemos uma capitalização de R$ 150 mil no fim do ano e não temos amortização de debêntures por agora. Só em outrubro de 2010", afirma. A dívida líquida da empresa é de R$ 617 milhões, sendo R$ 330 milhões de dívida líquida.
A comercialização dos imóveis retomou, segundo Cytrynowicz, no mês de março. O estoque é de R$ 1,4 bilhões, "mas vem diminuindo".
Na CCDI, o volume de vendas no primeiro trimestre foi bastante inferior em comparação ao mesmo período de 2008, quando foi vendido um empreendimento no Rio de Janeiro. "Mas tivemos uma velocidade de vendas melhor, a partir de março", afirma Fernando Bergamin, gerente de Relações com Investidores da CCDI. A companhia não fez lançamentos, com o intuito de vender estoque. "A taxa de endividamento é muito baixa, de apenas 15%, o que é bastante importante em um cenário de escassez", diz Leonardo Rocha, diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia
Gazeta Mercantil, Natália Flach, 28/mai/09
As empresas do mercado imobiliário tiveram, em geral, boa performance no primeiro trimestre do ano. "Uma parte relevante da crise foi atravessada com saúde", analisa Ricardo Almeida, professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa Agora (Insper). Ele acrescenta que as companhias estão sabendo trabalhar bem com o mercado de ações, e, que durante esse período, não correram risco de falir nem de cancelar a entrega de empreendimentos. Isso só foi possível porque as companhias adotaram a estratégia de postergar os seus lançamentos, para assim, assegurar um bom volume no caixa.
Segundo o professor da Insper, as empresas que melhor performaram foram aquelas que souberam ajustar a sua estrutura rapidamente. É o caso da EZTEC, por exemplo, que teve um resultado financeiro positivo devido às despesas operacionais, que foram 34% menores no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2008. A Inpar, por sua vez, teve um aumento de 33% na comparação dos dois períodos. A empresa declarou, em seu balanço, que vai reduzir as despesas no segundo trimestre.
Segundo Patrick Correa, analista da Máxima, a Rossi lançou R$ 143 milhões enquanto teve R$ 283 milhões em vendas contratadas. A Gafisa foi outra empresa que também foi bem no trimestre. Lançou R$ 160 milhões e vendeu R$ 558 milhões. A Klabin Segall não fez lançamentos e vendeu R$ 117 milhões. A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) e a Tenda fizeram o mesmo: não lançou, mas venderam bem. A primeira vendeu R$ 121 milhões de estoque e a outra, R$ 252 mil.
A empresa que mais vendeu foi a PDG, com R$ 719 milhões. E a Cyrela foi a única que lançou mais do que vendeu no período, somando R$ 60 milhões ao estoque. "A Tecnisa teve recuperação das vendas do quarto trimestre, a Rossi, por sua vez, teve recuperação na velocidade de vendas e a Gafisa teve um dos maiores lucros, de R$ 37 milhões", afirma Correa. O analista diz que a estratégia de queimar estoque foi motivada "pela prioridade dada aos projetos rentáveis e com margens maiores".
O analista diz ainda que 83% dos terrenos da Gafisa são elegíveis ao pacote habitacional do governo, enquanto da MRV chegam a 75% e da Rodobens, 95%. "Todas as empresas tiveram lucro, menos a Inpar, que teve R$ 18 milhões de prejuízo. Mas é bom lembrar que ela está capitalizada", afirma.
Para David Lawant, analista da Itaú Corretora, o resultado operacional das empresas foi fraco, "mas eu esperava que fosse ainda mais fraco". As boas surpresas do trimestre, na opinião do analista, foram a PDG, MRV e a Gafisa. Mas ele espera que nos próximos três meses os resultados vão ser mais fortes. "Acho que o pacote ajudou bastante, tanto é que algumas empresas mudaram o seu guidance", afirma.
Empresas
Luiz Rogélio Tolosa, diretor executivo de Relações Institucionais e com Investidores da Brascan, diz que o grande feito da companhia foi conseguir ler o mercado. "Percebemos que iria cair a oferta, mas não a demanda. Então, quem tivesse produtos na prateleira se sairia muito bem." Por isso mesmo, a Brascan aumentou em 110% o número de lançamentos, em relação ao primeiro trimestre de 2008. Foram R$ 267 milhões de lançamento e R$ 307 milhões em vendas contratadas. "Provamos que não havia tragédia no mercado", completa.
"Do ponto de vista contábil, embora o faturamento tenha aumentado, reprogramamos as nossas obras, o que não significa atraso. Caixa é fundamental e o crédito estava muito difícil." O caixa da empresa está tranquilo com R$ 2,5 bilhões. No momento da fusão com a Company, no terceiro trimestre de 2008, a dívida líquida da Brascan já era de R$ 436,6 milhões. A parceria utilizou R$ 200 milhões de caixa, elevando a dívida líquida para R$ 636,6 milhões. Ao final do primeiro trimestre de 2009, a dívida líquida era de R$ 796,1 milhões, que representa apenas 46,0% do Patrimônio Líquido.
Desta forma, "a Brascan entende que a dívida cresceu de forma lenta, refletindo principalmente o aumento nos lançamentos e as despesas que são naturais de uma fusão, como por exemplo investimento em sistema e consultorias".
Eduardo Cytrynowicz, diretor-adjunto de Relações com Investidor da Even, diz que do ponto de vista de receita o volume de vendas foi muito parecido com o do fim do ano passado. "A gente segurou os lançamentos. Só lançamos quando o financiamento está contratado, a demanda é garantida e há construtibilidade", diz.
Segundo ele, o custo operacional está controlado. "Readequamos a nossa estrutura e a nossa posição de caixa é confortável, com R$ 288 milhões, no primeiro trimestre de 2009. Fizemos uma capitalização de R$ 150 mil no fim do ano e não temos amortização de debêntures por agora. Só em outrubro de 2010", afirma. A dívida líquida da empresa é de R$ 617 milhões, sendo R$ 330 milhões de dívida líquida.
A comercialização dos imóveis retomou, segundo Cytrynowicz, no mês de março. O estoque é de R$ 1,4 bilhões, "mas vem diminuindo".
Na CCDI, o volume de vendas no primeiro trimestre foi bastante inferior em comparação ao mesmo período de 2008, quando foi vendido um empreendimento no Rio de Janeiro. "Mas tivemos uma velocidade de vendas melhor, a partir de março", afirma Fernando Bergamin, gerente de Relações com Investidores da CCDI. A companhia não fez lançamentos, com o intuito de vender estoque. "A taxa de endividamento é muito baixa, de apenas 15%, o que é bastante importante em um cenário de escassez", diz Leonardo Rocha, diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia
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